Chicão.
Chicão entrava na sala com apenas um caderno e um estojo. Dava bom dia, e se era o “dia seguinte de um jogo”, começava a falar sobre o jogo. Sempre exaltando o Flamengo, implicando com Léo sobre o Vasco e fazendo piadinhas sobre o Botafogo pra mim.
Depois de bater um papo rápido com o pessoal, Chicão começava a botar a matéria no quadro. A letra dele era demaaais! O ruim era quando ele inventava de botar aqueles desenhos lá. Ficavam lindos no quadro, já no meu caderno ficava tudo torto. E depois que ele terminava de copiar no quadro, pegava o Lance! (geralmente o meu) pra ler. Lia só a parte do Flamengo e depois ia andando pela sala puxando o cabelo de um, a orelha de outro, parando pra conversar…
Daí, quando faltavam 10 minutos pra terminar a aula, Chicão pedia silêncio a turma e começava a explicar. E aqueles 10 minutos se transformavam em 30, pois ele explicava a matéria toda e com muita clareza. Era bom anotar o que ele falava, porque COM CERTEZA ia ser cobrado na prova.
Eu era muito exigente na matéria dele (geografia). Me recusava a tirar uma nota abaixo de 9, pois 9 era a nota dos “recadinhos do coração”. As vezes vinha um 8, mas nunca abaixo de 8. Uma vez, consegui 5 recadinhos do coração seguidos, foi uma proeza! Fiquei muito orgulhosa de mim mesma.
E agora Chicão não me dá mais aula. Aquela exigência com a geografia acabou, acho que a matéria perdeu a graça e isso se refletiu na nota da prova. Provavelmente, irá se refletir no vestibular (ou não, pois o que aprendi com ele não foi em vão). Não tem mais recadinho do coração. Não tem mais piadinha de futebol.
Não tem mais Chicão.
14 14UTC abril 14UTC 2010